#16 No fim do túnel


— O que você ganha com todas essas mentiras? — disparei de imediato.
Sua risada preencheu o ambiente logo na sequência. Fria e cortante.
Senti todo o meu corpo se arrepiar com aquele som, que pareceu durar muito mais tempo que qualquer uma das risadas anteriores.
— Você é patético! — disse, fazendo uma pausa — Exatamente! O que eu ganharia perdendo meu tempo com você e reproduzindo mentiras que você não quer ouvir?
Calada se seguiu, plúmbea e fantasmagórica, tal qual todos os outros silêncios que haviam tomado todos aqueles momentos naquele quarto.
— Você não responde nenhuma pergunta sem outra pergunta? — quebrei o silêncio.
— Você tem alguma inteligência? — devolveu, nitidamente irritado — Eu não posso ir se você não me mandar embora. Estou preso aqui do seu lado até você descobrir o porquê, até você ser capaz de me desfazer. Não adianta só gritar para que eu me cale ou me mandar ir. Fugas não são permitidas.
Dessa vez, eu é que fiz perpetuar a quietude no ambiente.
Não sabia se possuía forças para continuar aquela loucura.
Não sabia se possuía qualquer interesse em permanecer dentro daquilo.
Mas não parecia que tinha qualquer escolha.
Ou era aquilo.
Ou seria assombrado pelo resto da sua vida.
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#15 No fim do túnel


Tudo o que eu queria era poder fugir, me esconder em algum lugar onde jamais seria encontrado. Contudo, não havia quem procurasse por mim, aonde quer que eu estivesse. Seria apenas um gasto desnecessário de uma energia que eu não possuía.
— Eu não te odeio. — sua voz penetrou-me mais uma vez, combinado com seu olhar sisudo.
— Não é bem o que parece. — devolvi.
— Eu imagino que não. E não há nada que eu possa ou queira fazer pra mudar as coisas a esse respeito.
— Então por que continua aqui?
Suspirou.
— Eu já disse. Porque você quer! Porque precisa de mim.
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