A canção do deserto

O texto abaixo faz parte do projeto PH Poem A Day, do blog Central da Leitura.

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E se anda

E se sente

E se conhece a imensidão

É maior e mais forte que todos

Nada pode ser mais deserto, do que o deserto é. 

E mesmo que eu passasse anos e anos da minha vida vagando atrás de um início ou de um fim. Se eu passasse desde meu começo até a minha derradeira morte à procura de alguma coisa, não acharia. E só não encontraria nada, porque também não entenderia.

Grande imensidão. Não conheço e não compreendo. Imensidão de cores claras e de negrume. Coisas que não entendo. Nada tem, nada possui, nada sente. Não existe. Mas está lá. Porque a simples falta de existência é, em si só, alguma forma de existir.

Jamais achei o fim, e muito menos o seu início. Não sei como surgi aqui, e nem mesmo sei se aqui estou. É isso que é o deserto. Uma existência sem existir. Uma falta de existência que existe. Porque não tem nada, mas o nada é alguma coisa.

Nada que está no deserto, que tem muito mais além do que nada, que nada tem.

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