Balanço de pneu

O texto abaixo faz parte do projeto PH Poem A Day, do blog Central da Leitura.

Caso não esteja vendo o texto, clique em mais informações logo abaixo.

Ainda me lembro, como se fosse uma fotografia em preto e branco.

Era um parque, cercado por um muro de concreto e com grama fresca e macia no chão. Não era verde, pois tudo ao meu redor se mostrava em escalas de cinza.

No fundo da imagem, um brinquedo de trepa-trepa e, logo ao lado dele, um escorregador de madeira. Porém, mais a frente, havia uma árvore. Não era muito alta, e sua copa era boleada e cheia de folhas verdes. Dessa árvore partia um poderoso galho, onde descansava um pneu aposentado, preso a uma corda fortificada.

Aposentadoria de pneu que vira balaço é a maior alegria, mas naquele momento nada disso estava visível.

O único movimento era do vento, balançando o pneu para frente e para trás, assim como acontecia com as folhas da árvore em que este se prendia.

Não sei porquê, e muito menos o objetivo disso. Mas é o que é.

Uma memória. Uma memória que eu não sei de onde veio.

Uma memória antiga.

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