Giro que gira o girassol

girassol

O texto abaixo faz parte do projeto PH Poem A Day, do blog Central da Leitura.

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O Sol que gira, e me mostra o giro do girassol.

Girassol, girando em busca do Sol.

Ninguém pôde me dar o Sol, mas certa vez me deram um girassol — um girassol da mesma cor do Sol —, e mesmo quando eu não sabia onde se encontrava o Sol, o sabia o Girassol. Girassol, que seguia o Sol. Girassol, que não queria ser Sol, porque bastava seguir Sol.

Quando Girassol seguia Sol, eu olhava Girassol seguir Sol. Disseram-me certa vez que aquilo era amor. Pois eu digo que não. Girassol só seguia Sol. E Sol jamais soube. Girassol só admirava Sol, assim como todo e qualquer girassol.

Mas Girassol — oh, pobre coitado! — não sabia que aquilo não era amor. Girassol descobriu os girassóis, e Girassol já não queria mais girar para Sol.

Pobre, pobre, Girassol. Trocou o dia pela noite, o claro pelo escuro. Tudo para não tornar a ver Sol. Tudo para não girar para Sol.

E, sem mais girar, conheceu Lua. Ela era bela, prateada, brilhante — mais linda que Sol! Ninguém girava para Lua.

Girassol acordava todas as noites para vê-la brilhar, e tornava a dormir quando Sol voltava a aparecer.

Foi rápido demais, e antes mesmo que percebesse o Girassol, ele girava para Lua. E Lua notou, porque ele era o único que, para ela, girava. Isso sim era amor. E assim, meio que sem querer, o Girassol que me deram virou Giralua.

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