A ditadura do não-clichê

Olá, seres humanos e não-humanos.
Como vai a vida? Me peguei, de repente, pensando o quanto essa pergunta é desnecessária e pouco útil. Ninguém deve responder enquanto lê, não é? Bem, se houver algo errado e eu puder ajudar, você sempre pode entrar em contato. :)

Bem, hoje vamos falar de um assunto bastante discutido, até. Essa busca incansável pela originalidade absoluta. Afinal de contas, isso é possível?

Bem, para começar. O que é clichê? Para isso, vamos recorrer ao nosso dicionário Aurélio.

Cli.chê
Substantivo masculino.
1.Placa gravada em relevo sobre metal, para impressão de imagens e textos por meio de prensa tipográfica.
2.A imagem ou o texto assim impresso.
3.V. lugar-comum.

Ou seja, clichê seria algo que “copia” outra já pré-existente. Alguma coisa criada a partir de uma fôrma, da mesma maneira que acontece com as cópias na pensa tipográfica.
Desde sempre, os escritores se cobram muito a respeito dos clichês, correndo deles desesperadamente como uma manada de bois fugindo de um dragão faminto. A pergunta é: existe uma história que não tenha um único clichê?

Sinto muito, mas tudo o que você conseguir pensar, muito provavelmente, já foi pensado por outro. É um fato. O que não significa, é claro, que as histórias sejam exatas cópias. Há um imenso abismo entre o clichê e o plágio, vejam só. A questão é que a humanidade existe há anos demais para que você consiga ter uma ideia que ninguém nunca teve.

Os clichês estão aí, por todos os lados, e só são clichês porque dão certo, não é verdade? Não tem como, de fato, escapar deles. Se aquele casal da sua história vai ficar junto, você é um clichê. Se ele ficar separado, você também é um clichê. Isso porque essas duas coisas existem em outras histórias que não são as suas e, vejam só, elas funcionam perfeitamente bem.
Assim, tem algum problema de ser, só um pouquinho clichê?

Mas esse não é o nosso assunto. Vamos lá. Você está criando e tem uma ideia incrível, que você acha que ficaria perfeitamente maravilhosa no seu trabalho. Mas então você descobre que alguém fez uma coisa bem parecida. Então você se enterra em lençóis e cobertores, com chocolate, para chorar e descobrir o que você faz agora.
NÃO! PARA COM ISSO AGORA MESMO. Não tem nada de errado em ser clichê. Não tem nada de errado escrever sobre aquilo que todo mundo escreve se você se sentir bem fazendo isso. Entende onde eu quero chegar?
E isso serve tanto para aqueles que têm o clichê em algumas partes da obra como para aqueles que o possuem em toda a sua existência. E se o seu problema é que as pessoas gostem do que você faz, saiba que todo mundo gosta de clichês. Claro, todos também gostam de ser surpreendidos, mas tem uma hora que você não quer surpresas. Às vezes, tudo o que a gente quer é uma companhia confortável do que você saber que vai fazer você sofrer por um tempo, mas que vai acabar bem.

Então, por favor. Não crie baseado no que é clichê ou não. Crie a partir do que você sentir que deve fazer, sem se importar se alguém já fez aquilo igual antes. Por mais que a maneira como a trama se desenvolve seja parecida, sempre vai ter alguma coisa que vai separa-la das demais. A identidade da sua obra é única, e nenhum clichê pode mudar isso.

Os livros são clichês, as músicas são clichês, as pinturas vitorianas também são clichês.
Qualquer coisa pode ser clichê.
A própria vida é clichê.

E nós somos clichês.
Porque nós somos humanos.

2 comentários:

  1. Maria S. Hohl19/02/2015 21:32

    Passei anos da minha vida escrevendo clichês, depois mais alguns fugindo deles. Acho que estou em um meio termo, atualmente: me apegando a alguns e rechaçando outros. Acho que é bem saudável! haha Ótimo texto!

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    1. UHEhue. Entendo perfeitamente. Bem, o importante é escrever o que você gostaria de ler, independente de ser ou não clichê. Afinal, clichê só é clichê porque dá certo. MWeheh.
      Muito obrigada pelo elogio.
      E continue escrevendo. ;)

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