Lentes de um óculos

Olá, seres humanos e não-humanos. Mais uma segunda-feira e a gente aqui. Haha.
O texto de hoje foi uma incrível sugestão de uma amiga. Pronto para encarar? Só clicar em mais informações aí embaixo.

Tão caras lentes, que fazem parte de mim sem de fato ser. O amigo sincero que observa. Sincero, sincero. Cada imperfeição que sem ele não enxergo. Deixa nítida minha visão infantil e minhas cobiças de adolescente. Digniza minha observação ardil. Doce. Frio. Caliente. Minha visão inconstante, turva do saber sem auxílio, curva torta de verdades, mentiras, exílio. Minhas lentes tão minhas, transparente efusivo. Olhos impacientes, óculos compreensivo. Mostra-me. Não mente. Não mascara. Não sente. Mostra-me sem fantasia. Verdade, verdade minha. Verdade de tudo que não é meu, e o que não sou. Minhas lentes não olham para dentro de mim.

Meu sussurros internos são borboletas, que os desenhos das asas jamais irei enxergar. Minhas lentes não servem para olhar para dentro de nada, nem de ninguém. Nem de mim mesmo. Chuva vem, molha com respingos minha visão. Mais uma vez turva. Com óculos, ou não. Semblante perdido de quem não sabe onde ir. Meus óculos não olham através da chuva. Não olham, não olham, não. Não olham através da chuva.

Sem minhas lentes, meus olhos me enganam. Embaçado embasbacado do não-ver. Sentado ao canto, desolado, espero parar de chover. Chove, chove. Inconstante. Debaixo d’água não consigo enxergar. Seja doce ou salgada. Chuva, rio ou mar. Sabor de desperdício nos lábios com as lentes em frente aos olhos, enfeitadas com as gotas que me impedem de ver. Enquanto isso, penso contrariado, na imagem asas das borboletas que jamais conseguirei, perfeitamente, obter. Minhas lentes não olham para dentro de mim.

Minhas lentes não olham para dentro de mim.
Minhas lentes não olham para dentro de mim.
Minhas lentes não olham para dentro de mim.
Sempre, sempre. Repetindo, ecoando.

Minhas lentes não olham para dentro de mim.

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