O teatro da meia-noite

Heeey! Como vão vocês, meus seres humanos e não-humanos? (sim, agora são minha propriedade).
Hoje, em mais uma quinta-feira, uma convidada mega especial vai estar dividindo um texto (pelo qual eu, particularmente, me apaixonei) incrível com a gente. Para conferir é só clicar em mais informações aí embaixo!

Bate o gongo à meia-noite, lua alta lá no céu. No terreno, antes vazio, surge uma construção por detrás de escuro véu. Entra ela, com temores e expetativas. Observa com anseio a plateia, composta por sombras altivas. Não sabe se são humanos: nunca soube, jamais saberá. Senta-se logo na primeira fileira, o espetáculo em momentos começará.

O anfitrião fala à plateia, em sua cabeça um alto chapéu. Passeia pelo palco, encara a todos com olhos feitos das estrelas lá do céu. Ajeita a capa, com um pigarreio a voz experimenta. Gesticula, ri e se apresenta. “Sou vosso anfitrião, Donavár. A peça os senhores hão de agora aproveitar”.

Desce a cortina, surgem os atores. São criaturas assustadoras, de despertar mil temores. A menina, no entanto, não se afugenta. O fulgor da plateia com suas palmas alimenta. A peça é um romance, dessa vez, mas recheada de tragédia. Nada de risadas, o show dessa noite não possui sequer um pingo de comédia.

A criança humana contempla a peça, do início ao fim. O final chega sorrateiro, por fim. O jovem cavalheiro urra em dor, em seus braços a amada. Uma adaga em suas mãos, com a qual a apunhalara. Foi preciso, não? Ela amava outro, teve de morrer, então. Descem as cortinas, ocultando o fatídico casal. Acendem-se as luzes, a agitação é geral.

A contemplar o palco vazio, a menina em sua cadeira aguarda. Espera evitar pela multidão de seres ser pisoteada. Logo o salão se esvazia, sem da plateia quaisquer traços. Os olhos dele a perscrutam, de galáxia pedaços. “Volte outra vez, estarei a esperar. O Teatro da Meia-noite jamais muda de lugar. Quando a meia-noite soar, aqui estará Donavár”.

Com um aceno de despedida, pôs-se ela a ir embora. Pisando para fora das grandes portas, estava quieto do lado de fora. Nada parecia ter acontecido no terreno vazio às suas costas. Retornaria em breve, quando novamente surgissem as portas.

Até mais, Donavár, até o gongo da meia-noite voltar a soar.

Mariaaaaa
tem quinze anos e vive no Rio de Janeiro.
Suas paixões eternas são seus gatos, a escrita e alpacas.
Seu maior projeto é A sombra de Pandora,
embora ainda esteja nos primeiros capítulos e não haja
qualquer estimativa para término.

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