Pretérito imperfeito

Olá, seres humanos e não-humanos.
Bem vindos a mais uma segunda-feira. Com vocês, mais um texto! Pronto para conferir? É só clicar em mais informações.

Parado você ficava. Observava as estrelas pela janela toda noite, fazia nada além disso. Não prestava atenção na minha existência. Não trocava as roupas. Não tomava a sopa que eu preparava para o jantar. Não comia o bolo de maçã que adorava. Não parava de olhar as estrelas pela a janela. Noite após noite. Pouco a pouco, me esquecia cada vez mais.
Logo, não lembrava mais do meu rosto. Já não falava mais a mesma língua que eu. Não olhava mais nos meus olhos. Não me reconhecia mais. Não respirava o mesmo ar que eu. Apenas olhava as estrelas da janela, noite seguida de outra.
E eu desejava me tornar uma estrela, para ver se assim você olhava para mim.
Mas como isso não aconteceu, certa noite, eu saí pela porta da frente com minhas malas prontas, para nunca mais voltar. Deixei no fogão comida para quase uma semana inteira. Depois daquilo você teria que se virar.
E enquanto eu me afastava, você olhava as estrelas.

Noite após noite, você olhava as estrelas.
E meu pretérito era imperfeito.

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