Laço de cabelo amaldiçoado

Olá, seres humanos e não-humanos. Segunda-feira, post, textinho. Vocês já sabem como funciona, não é mesmo? Então é só clicar em mais informações.

A primeira a ganhá-lo de presente foi a minha bisavó, assim que nasceu. Laço azul marinho e estampa poá. Sua mãe morreu no parto, e esse foi só o começo.
O pequeno laço passou, então, para a minha avó. No dia do seu casamento, ela prendeu o laço no pulso. Para dar sorte, ela pensou. Só pensou nisso. Depois, teve que pensar no noivo que nunca mais apareceu. Abandonada no altar de véu e grinalda, toda de branco, menos o laço. E uma garotinha no ventre.
Minha mãe é quem achou o lacinho depois disso. Não lhe deram de presente, foi ela mesma quem encontrou. Prendeu na mochila e foi para a nova escola, onde encontrou o amor de sua vida. Meu pai. Um homem desprezível, que destruiu todo o sentimento que minha mãe sentia por ele com as marcas de hematomas que lhe presenteava.
Então ela escondeu o pequeno laço. E eu o encontrei. Mas eu não sabia da maldição. Amarrei o azul e poá no cabelo e fui sair com meus amigos. O ônibus estava vindo e eu corri para atravessar a rua. Rápido demais. Na outra pista, um carro de passeio vinha em alta velocidade.

O laço azul marinho e poá ficou jogado ao lado do corpo, manchado com sangue. Foi largado no asfalto quente. Em uma noite fria, uma criança de rua perdida viu o pequeno pedaço maltrapilho de pano. Era bonito. Um amuleto de sorte para uma garota que não tinha nada a que se apegar.

Um amuleto de sorte. Um amuleto de sorte.

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