O aeroporto

tumblr_ln0m5fZ4Sm1qaye2go1_500

Olá, seres humanos e não-humanos!
Estamos aqui em mais uma quinta-feira. Dessa vez, com mais um texto especial de uma pessoa especial. O aeroporto é uma crônica maravilhosamente escrita por Leonardo Bittencourt. De maneira bem simples, rapidamente a gente cria uma identificação com o texto. Curioso para ler? É só clicar em mais informações.

Aquele aeroporto era muito grande. Pessoas passavam por mim, com suas bagagens. Uns podem ter ido à China, outros à Itália, mas eu fui ao banheiro. O banheiro era sujo, e é só isso que você precisa saber. Quando retornei, na minha cadeira estava uma ruiva. Nem garota, nem mulher: uma ruiva. Suas sardas eram incontáveis, suas madeixas eram longas e comportadas, e sua pele alva como uma página do livro que ela estava lendo. “Amor é tudo que dissemos que não era”. Acredita nisso? Uma fã do velho safado roubou o meu lugar. Eu me aproximei, mas ela não notou. Disse oi, mas ela não ouviu. Somente quando recitei uma estrofe de “Good try, all” foi que ela olhou para mim. “Eu era considerado apenas mais um Parado no meio do caminho E talvez eu Fosse e talvez eu não fosse” Sou muito imbecil por não ter reparado seus belos olhos azuis antes. Ela parecia meio desnorteada com aquilo, já que precisou fechar seu livro sem marcar a página. Quando o livro foi colocado de lado, pude ver sua blusa preta da Legião Urbana e me admirar mais ainda. “Oi amor – eu lhe falei. – Você está tão sozinha.” Ela então, sorriu para mim. A referência foi compreendida com sucesso, provando ainda mais que eu realmente havia motivos para estar admirado com aquela ruiva. Foi assim que a conheci, na noite daquela quinta-feira em que eu queria que o meu avião atrasasse quantas horas fossem necessárias para que pudéssemos conversar mais. Falamos sobre Bukowski, sobre Renato: sobre as nossas vidas. Descobri nela mais dos meus interesses do que propriamente havia em mim. A vida era doce. Tudo conspirava para a perfeição daquele momento. Tudo, exceto o alto-falante do aeroporto, anunciando um voo partindo para a Inglaterra. Para eu mencionar esse em específico, deve saber o que aconteceu, não é? Ela se levantou e encheu minhas bochechas de beijos e então, sumiu no mar de pessoas que se aglomeravam para embarcar. Conversamos tanto tempo, e, agora, ela foi embora. Foi embora e não lhe fiz a pergunta mais importante em uma conversa entre duas pessoas que se conheceram há pouco tempo: “qual o seu nome?”. Desse jeito, a ruiva foi embora sem que eu pudesse saber de seu nome, saber de sua vida de forma que eu pudesse um dia retornar a ela. Dentre tantas pessoas naquele aeroporto, quem decidiu encontrar a ruiva por acaso fui eu. Quem decidiu brincar de se conhecer fui eu. Quem decidiu ficar tão hipnotizado com a ruiva, a ponto de se esquecer de perguntar seu nome, fui eu. Tantos caras que poderiam ter vivido isso no meu lugar. Aquele aeroporto era muito grande.

Leonardo Bittencourt
18 anos. Caucasiano. Escreve sua vida em cada palavra.
Facebook

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe a sua opinião! Ela é muito importante para mim.

© Giulia F Ferreira - 2016. Todos os direitos reservados. Criado por: Giulia F Ferreira. Tecnologia do Blogger.