A porta emperrou


Olá, seres humanos e não humanos!
Sinto muito aos que estavam esperando um post tão bem humorado quanto o anterior. Mas a escuridão é a realidade do que eu escrevo. Não precisa estragar o seu dia bom lendo isso, mas se estiver interessado, é só clicar em mais aí embaixo.
Seja bem vindo ao meu mundinho.
O grande perigo de se estar dentro de algo é não saber o que está do lado de fora. E se você sair, o que vai encontrar por lá? Não tem como saber. É a grande verdade, no fim das contas. Você ouve histórias e não tem como ter certeza o que é de verdade e o que é só mais uma lenda.
O primeiro pé do lado de fora é o primeiro baque, o primeiro impacto. Precisa ter força pra sair, porque você mal abriu a porta e já querem te empurrar de volta. Afinal de contas, quem você acha que é pra mostrar essas coisas dessa maneira? Você não manda em nada aqui! Tem ideia do transtorno que está causando a todo mundo?
Mas, e quanto a mim? Fácil pra você dizer, que nunca esteve aqui dentro e de repente tem — ou melhor, quer — ir embora. O lado de dentro não é agradável. Cláustrofóbica como sou, me dá nos nervos pela sua pequenez. O vazio forma um ambiente perfeito para que ecoem as vozes que não se calam na minha cabeça. Mas ao mesmo tempo que permanecer socada no ambiente seguro em que todos preferem que eu esteja é uma tortura, tentar sair é quase como comprar um falso passaporte de liberdade.
Ninguém pula pra fora de uma vez só. É impossível. A luta é árdua. Às vezes você está empurrando pra sair enquanto tentam trancar a porta na sua cara; em outras você está querendo desistir e se encolher do lado de dentro, mas uma boa alma te puxa pra fora e tenta te fazer não desistir do que você acabou de começar.
Muita gente fala sem saber. Sem saber de nada.
Não espero que me entendam. Ninguém tem obrigação de nada para comigo.
Só peço que tente e, caso não queira nem isso, sinto muito dizer mas você não merece meu tempo. 
Em momento nenhum disse que não vai doer, mas às vezes é necessário que alguns bons venenos te deixem para que coisas realmente boas tomem o lugar deles.
Sinto muito, mas você não pode me dizer onde eu devo estar. Sei que é muito difícil para que aceites isso, pois é complicado até mesmo pra mim entender que você não tem esse direito. É uma escolha minha. Total e completamente minha. Mas eu não tenho coragem. AInda não. As pessoas que sempre estiveram do lado de fora são tão confusas… Não sei estar aqui, e eu sei que você não quer que eu aprenda. Infelizmente (pra quem?), vou ter que te decepcionar em mais uma coisa.
Está difícil. Ainda não consegui fazer sair mais que o pé direito. A minha porta emperrou. Está congelada. Não por tanto tempo quanto você gostaria que fosse, mas ainda é tempo demais pra mim.
A interpretação é livre. E eu também.

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