#13 e 14 No fim do túnel


A luz do sol ofuscava a minha visão, ainda que pelo prisma das janelas e filtrado pelas cortinas finas. Tudo o que eu enxergava era um incômodo clarão. As lágrimas eram tudo o que eu tinha, as lágrimas e meu auto ódio.
— Por que ainda insiste em se manter nesse estado de catáfora? — interrompeu o meu sofrimento.
Ouvir sua voz, carregada de um quê sarcástico, foi o suficiente pra somar a raiva aos sentimentos que se misturavam no meu âmago.
— O que você ganha me atiçando dessa maneira? — disse.
— E o que você ganha revisitando todo esse passado doloroso? — devolveu.
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— E por que você se importa tanto? — rosnei entredentes, raivoso.
Mas apenas me sorriu de volta.
— Anda, diga! — gritei — Por que faz isso comigo? Por que me repreende? Me atiça? Me faz sentir um merda? Por que me odeia tanto?
Senti as lágrimas voltando com ainda mais força. Ao fim, mal conseguia respirar nos intervalos de um soluço e outro.
Sentia os olhos da minha companhia sobre mim, atentos. Jamais distantes, contudo, para minha infelicidade.
— E o que o levou a essa ilação? — senti sua voz me percorrer cada pelo do corpo.
Calma. Tensa. Limpa.
Arrepiando-me.
Nem um pouco divertida.

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