#2 No fim do túnel


A luz queimada dava a rua um ar fantasmagórico, e eu estava só.
Mesmo criança, quando minha mãe estava em casa, trancada no atelier trabalhando a greda, eu estava só.
Fazia bem a ela, diziam. Precisa apoiá-la, ela está tentando por você.
Contudo, jamais consegui. Não era suficiente para mim apenas saber que ela estava lá.
— Você não está só dessa vez. — a voz grave me confrontou.
Pulei em sobressalto.
— Quem é você? — não evitei a pergunta.
Por algum motivo, perguntar como chegara ali não soava plausível.
A risada suave expressava divertimento.

— A pergunta certa seria: o quê?

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