#3 No fim do túnel


— O que é você? — inquiri.
Riu, e eu estremeci.
— Você não sabe?
Silêncio.
A escuridão estarrecedora parecia me oprimir.
— Não. — minha resposta veio seca.
— Não o culpo. Eu mesmo não me reconheceria.
E se calou. E me calei.
O calor abafado da noite me sufocava ainda mais que as lembranças vindas com o silêncio.  A serependidade dos meus anos de ouro já não eram motivo de orgulho.
— Dói, não é? O passado. — divertiu-se.
Mas não, não doía. Ao contrário, era quase um alívio lembrar que eles haviam passado.
— O que quer comigo? — perguntei.
Mas a essa altura já estava só.

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