#8 No fim do túnel


— Eu odeio você. — me ouvi dizer.
— Justo.
Justo.
Era tão simples. Tão fácil. Tão ridiculamente aceitável.
— Por que você não vai embora como das outras vezes? — não sei de onde viera aquele questionamento.
— Porque você precisa de mim aqui agora.
— Preciso? — deixei escapar uma risada amarga, que fez minha cabeça doer — Pra quê? Pra desquietar o meu luto?
Um período desconfortável de silêncio se seguiu.
Eu o sentia na minha pele coçando.
No arrepiar da minha espinha.
— Responda! — berrei.
— Você não quer saber.
— Responda!
— Seu luto é uma mentira. Tudo o que resta agora é arrependimento.
Não riu. Nem eu.

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