#18 No fim do túnel


A chama do isqueiro iluminou o ambiente por um milissegundo, dando vida a apenas mais um dos meus recém readquiridos vícios. A voz recriminadora de todos aqueles que me tinham parabenizado por largar aqueles hábitos ressoava na minha cabeça, em uníssono. De olhos fechados eu os podia ouvir ainda mais alto, berrando nos seus ouvidos. Mas eu não os ouviria, assim como também não os ouvia enquanto os seus fantasmas sussurravam em meus ouvidos, agora que a solidão só fazia com que eles gritassem ainda mais alto. Agora que a solidão fazia suas vozes subirem pelo meu estômago e descessem pelos meus pulmões.
Levantei ao fim do cigarro, já tirando o segundo deles do maço e tendo-o entre os dedos enquanto abria mais uma das garrafas que eu tinha na geladeira. Bebi um gole, saboreando o gosto amargo — aquele vício eu nem ao menos chegara perto de deixar de lado.
Um forte sopro de vento balançou as cortinas. Ouvia barulhos na rua, um carro se desligando, o sarpar de uma escada e, com um estalo, o poste de luz que há dias não acendia começou a iluminar parcialmente o quarto outra vez.
— Achou mesmo que livrar-se-ia de mim tão fácil?

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