#23 No fim do túnel

Eu queria saber quando havia sido que eu me tornara tão semelhante a ela. Eu queria saber quando que eu começara a repetir os mesmos erros que ela e como eu havia sido incapaz de perceber até que fosse tarde demais. Mas eu não sabia. Não sabia e continuaria sem saber. Assim como eu não sabia como não acender o próximo cigarro. Assim como eu não sabia me livrar das garrafas não abertas. A mãe nunca me ensinou isso, ela nunca me ensinou a ter cuidado com essas coisas. Ela quis me mostrar pelo exemplo que eu não devia ser como ela era, mas nunca me mostrou como fazer isso.
Pelo contrário, ela me mostrou como sabotar-se. Ensinou-me a como não tentar melhorar ao esconder as drogas e a seringa no vaso de alabastro da vó enquanto não estava bebendo nem fumando. Ensinou-me a sua falsidade. A falsidade que ela tinha no sorriso dos lábios quando ficava trancada no atelier, trabalhando a greda. A falsidade que ela tinha nos seus pedidos de desculpas de quando tinha mais uma recaída e voltava pra casa bêbada de madrugada.
E você aprendeu direitinho. ─ surgiu, novamente, a voz. 
─ Vá se foder!

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