#27 No fim do túnel

Apenas silêncio.
Seu ódio arrefecido ainda estava lá, apesar disso. Mas já entendera que gritar cala bocas àquele que lhe jogava contra parede em nada lhe resolvia.
─ O quê. ─ ele disse com uma risada.
─ Você mesmo havia dito que essa era a pergunta certa.
─ E é.
─ Então…?
─ Surpreende-me que ainda não saiba, depois de tanto. Depois de tudo. Surpreende-me que sua burrice seja tamanha.
Não respondi.
O meu corpo pesava tanto que toda a minha força estava concentrada em acender mais um novo cigarro, acompanha-lo de uma bebida.
Ao ver-me despender toda a minha energia para gastos tão pútridos, riu em escárnio.
─ Nem mesmo agora você dá fim aos seus vícios?
Dei uma longa tragada no cigarro aceso, consumindo pela metade. Deixando escapar para o ar a fumaça lentamente. Dei uma longa golada na garrafa aberta, dando fim ao seu conteúdo.
─ Já terminou? ─ perguntou-me.
Não havia terminado.
Pensava na mãe.
Eu era igual a ela. Mas ao menos eu resumia-me a destruir a minha própria vida ao invés da de outrem.
─ Talvez eu morra antes de largar o álcool e a nicotina. ─ disse.
─ Pode ter certeza que sim.
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