#28 No fim do túnel

─ Você é mesmo um lixo humano. ─ disse-me.
Acendi mais um cigarro.
─ Verdade.
─ E vai se contentar com isso?
─ Não há nada que eu possa fazer. Já tentei de todas as formas que eu conheço perdoar, mas não consigo me desprender da ideia de que tudo na minha vida teria sido melhor sem ela. Que talvez agora eu não estivesse assim.
─ Ela nunca lhe ofereceu as drogas que usava, não há qualquer desculpa para culpa-la pelo seu fim podre.
Dei outra tragada. Meus pulmões já pediam socorro de tanta droga que eu precisava naquele dia para permanecer vivo, pra controlar minha ansiedade.
─ Se eu não tivesse crescido do jeito que cresci…
─ Daria na mesma! Você está onde está porque é um fraco.
─ Mas ela…
Riu de mim outra vez, ruidosa e cruelmente.
─ Pare de mentir pra si mesmo. Seu problema não é com a sua mãe, você sabe disso. Seu problema é com você mesmo. Seu problema é ter se tornado a mesma porcaria ambulante que ela era e mesmo assim não ter tido nem a decência de ir acender a candeia do velório…
─ Chega! ─ gritei.
Sorriu pra mim.
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