#29 No fim do túnel

─ Tinha sentido saudades das suas explosões de raiva. ─ disse-me.
─ Eu nada fiz contra você. Por que não me deixa em paz?
─ Você é quem não me deixa em paz, meu caro, perdendo meu tempo a ver você pleiteando com sua mãe o posto de ser mais lixo que já passou por esse planeta. ─ riu ─ É mesmo muita pretensão se dar tanta importância.
Não soube responder. Joguei a guimba do cigarro no prato que ainda pousava na cama, ao lado de uma enorme quantidade de cinzas, mas quando procurei pelo próximo, eles haviam chegado ao fim.
Procurei por mais um como um desesperado, como um… como um verdadeiro viciado.
─ Você se drogou tanto hoje que acabou com seu arsenal, não é verdade? Sente orgulho disso?
Baixei os olhos. Não queria responder, não queria.
─ Perdeu a fala?
─ Me deixe em paz! ─ berrei. Podia sentir as amargas lágrimas descerem pelo meu rosto. Há muito não chorava. Nunca havia chorado por causa da mãe ─ Deixe-me com meus vícios e minha… ─ hesitei, de repente olhando diretamente praquele na minha frente ─ Culpa. ─ eu disse.
Sorriu.
─ Achei que nunca ia me reconhecer.
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